sábado, maio 20, 2006

apenas um toque ...



ouvi a tua voz
do outro lado do corpo
gota a gota escutava
a chuva,
vibrava
como uma melodia
misturada na tua voz
como o sonho rutilante
sobre o silêncio.
no momento, inesperada
bebia-a dos teus lábios
até me embriagar.
no vazio do quarto
o som de violinos
pareciam repercutir
numa conivência
entre mim e a realidade,
estavas em mim
sentia o instante
no sossego das palavras
suspensas em gestos
onde as imagens
se difundiam
sei que pedia ajuda
via o teu rosto
brotar nas sombras

mas dormias,
dormias e sonhavas
muito longe de mim...


l.maltez

quinta-feira, maio 11, 2006

certezas...



entraste no meu corpo
enrolaste-o ao teu
tocaste no meu coração
deixei-te ver a minha alma,
transformaste os meus dias
em tons de azul
fizeste-me sentir de novo
o chilrear dos pássaros
na janela do quarto.
no jardim as rosas
transformaram-se de várias cores
a vida sorriu de novo
fomos desejo,
paixão,
cumplicidade,
amor num só,
sentimento dentro de emoções,
fomos únicos.
vestimos as marés de sonhos
em gostos e imagens
fomos o mito
a sombra um do outro
entre as certezas
dos nossos silêncios
e magia de momentos vividos.
percorreste os meus segredos
embriagado em sorrisos
e inventamos palavras
nossas,
imaginando o brilho
da lua
ou o som do mar
a cantar em cada onda.

entraste no meu corpo
e não te deixarei sair...

l.maltez

quarta-feira, maio 03, 2006

vida ...


o dia chegou puro.
os olhares falavam num silêncio
onde as palavras tinham todas um nome
e a eternidade se fechava sobre um corpo
parado nas águas, entre os espaços
para assistirem ao nascimento das árvores

o grito do verão ressoava entre formas mudas,
delicadas, impregnadas de delírios imaginários.
alguém parte o silêncio e o transforma
em sons vergados, sensíveis às palavras vivas,
atrás fica uma vida, remexida desabaladamente
numa leveza, estrangulada entre dedos

olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas...

murmuram ao longe, frases ríspidas e frias
o vento arrasta soprando as vozes em pedaços,
agarrando a vida, que deseja invencível
lento, leve e moroso deixa respirar o dia.
mergulha na alegria suplicante da voz
onde ardem, na alma, chamas de desejo
assumido num jogo de amor único

escapa-se o pensamento, afunda-se
dentro da paixão voraz,
espelhada no sorriso dum peito aberto
o fio liga a veia, no abraço da morte
triunfante, a festa tornou-se imortal,
sufoca de júbilo,
entre palavras que passam a correr

o momento, amadurece na terra
cativo do nome que persegue...


l.maltez

domingo, abril 23, 2006

o meu carinho a todos vós



tentei comentar um a um,
fui ler-vos, mas não consegui comentar todos, as forças faltaram...
o que escrevem sempre me tocou muito, continuo a ficar emocionada com tanta beleza que encontro em cada cantinho vosso, onde vos sinto, muito perto de mim
lamento não poder ir a cada blog agradecer, pessoalmente, todo o carinho que aqui recebi de cada um, mas as forças são poucas e o “fio” que me prende à vida precisa de se soldar, espero que a outra “voz” seja menos forte que eu, pois quero voltar brevemente

continuo com o meu cheiro a maresia que deixo a cada um, esperando em breve ir a cada um retribuir todo o carinho e força que me têm dado

até lá beijinhos muitos a todos num abraço cheio de carinho

l.maltez

segunda-feira, abril 17, 2006

uma pausa...



Vou tentar afastar-me do blog, digo-o com mágoa, ou mesmo com dor,
há vozes mais altas que se levantam e me fazem pensar se vale a pena continuar,
não vou desiludida, vou porque preciso fazer uma pausa
afastar-me-ei não sei por quanto tempo, penso voltar, pelo menos é esse o meu objectivo, voltar...
voltar a ter forças para o conseguir fazer e acreditar que valeu todo este carinho que lhe dediquei e todo o carinho e admiração que tenho por cada um de vós que me têm lido e acompanhado
a todos quantos me comentaram e comentam, fica o meu eterno agradecimento. vou continuar a ler-vos, não tanto como desejava, vai ser uma "luta" que vou travar para o conseguir. mesmo que não comente, estarei presente no meu silêncio, já não sei passar sem vos ler e sentir-me a beber cada silaba que escrevem

pode ser que as forças voltem, que recupere bem e seja mesmo até um dia...

se assim não for é porque a voz foi mais forte que eu ...

fica para todos o meu cheiro a maresia e o aroma desta rosa especial para mim...



a voz foi dor, na noite diluída
aviso sem palavras, em visões
foi sentida no despertar do corpo
a voz, chegou sem passos gravados

por ser voz chamou-me

e fui...


l.maltez



quarta-feira, abril 12, 2006

ouvi a voz...


abracei a manhã e ouvi a voz
trazia a ternura de um abraço,
o sorriso aberto, de um olhar
numa inesgotável sede de me ver,

fixei-a,na rebentação duma onda
entre os cantares dos pássaros
e a brisa fresca que acaricia,
senti-a misteriosa, na doce penetração
do dia que começava a rasgar

devagar as cores saltaram na manhã
murmurei o teu nome,
como se o quisesse desenhar
ali, naquele azul, onde escuto o silêncio
e onde se abriram portas

parti a solidão, fui contra o tempo
sei que vou ver-te,
estico os braços para além de mim
enquanto escuto no secreto momento,
de descobrir a tua imagem
na mesma luz de uma manhã,

hoje, sei o que é [a]mar...


l.maltez

sexta-feira, abril 07, 2006

a chave ...


A vontade nasceu, num dia de Abril, esperou impaciente as horas surdas. soou por instantes, no cair da tarde, num espaço diminuto, onde nada decorre ou permanece. nenhuma voz em espera. mas a vontade traz consigo a altivez, incisa por si, junto às cordas vocais, na tortura do silêncio.
não quis partir, estava estranha, sussurrava como se quisesse abandonar os estranhos sonhos. deixou-se escorregar como um fantasma itinerante, atravessou caminhos sem imagens, numa sede tormentosa de músicas envolventes.
inventou um tempo e por o ter inventado perdeu o sentido das miragens dos dias e o canto sublime dos pássaros.


a noite essa chegou, viva, cheia de luz, tentou juntar-se à vontade, levantou os braços e acenou firmemente cintilante, nada aconteceu, deixou-se fustigar pelo vento lesante. a cidade espreitou nua e fria, sentiu o cerne da vida que corrói a alma. tentou ouvir o eco surdo do mar, tentou imaginar o sono, procurou a cada passo os gestos sumidos de um corpo sem sabor, insalubre e lânguido onde pudesse fundar-se.
esperou a chuva, delirante de certezas, arrefecida, com sabor atiço. devorou palavras sem saliva, imobilizada no pressentimento afogado da vontade. o tempo não existia já em lugar algum, faltava a coragem para se invadir de uma febril paixão, suportar a ideia do vazio e tentar o regresso.


a coragem espezinhada, desfeita, entre zumbidos, transporta a vontade entre visões e deixa o corpo sequioso preso na chave de amar...


l.maltez

quinta-feira, março 30, 2006

acordar...


acordar vazia
na brancura da imagem,
inventar desejos
nos caminhos, onde se cruzam
as vozes esquecidas,
imóvel, o futuro despe-se
e nem a música quebra o silêncio
das palavras invisíveis

restos de sonhos conduzem
ao grito do teu nome, adormecido,
não haverá mais noites,
a linguagem, mistura-se venenosa
à fantástica terapia
da alma intensa,
doloroso sémen da vida
no prazer do espírito

e as horas passam
sem serem de ninguém...


l.maltez

sexta-feira, março 24, 2006

entrada da primavera...



acordei perplexa
como quem retém
a esperança no olhar
mesmo na margem
aparente do dia
envolvi-me no perfume
da madrugada difusa
e matizada de serenidade

anónima esperei por ti
na entrada da primavera,
e passo a passo
sei que chegas
pontualmente engalanada
exuberante de colorações

retorna o encanto
ressoa a imaginação
resiste assim a eternidade

as horas flúem pelo dia
com o cântico dos pássaros

deixo-te que abarques
este coração
que te aninhes nas recordações
onde a beleza se fixa
onde as paisagens são
horizontes emocionais.

abrigo no corpo o desejo...
emanado de ti
como uma sombra qualquer


l.maltez

sábado, março 18, 2006

cartas...



numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez

quinta-feira, março 16, 2006

M A N I A S . . .

A Menina Marota pregou-me uma partida “quer” que coloque as minhas manias, para ser julgada em praça pública

se alguém for juiz peço a pena leve, assim como uma pena de um passarito que adoro escutar todas as manhãs ao acordar

mas vamos às manias antes que o dia dê meia volta


sim sou pestinha e muito, devido à banda desenhada que ainda hoje leio e detesto ter que responder a questionários

vou ordenar as tais manias

1ª - tendo a mania de ir ver todos os dias o mar, tenho que o ir ver seja dia ou noite, faça sol ou chuva, sou dependente dele, ou ele de mim, não sei bem...




2ª - durmo de luz acesa, não gozem, mas é verdade, detesto acordar de noite e sentir que o quarto está às escuras

3ª - adoro colecionar esferográficas, de várias cores, gosto de usar cores em tudo, defeito de escola certamente


4ª- gosto de conduzir e muito, se nenhum policia ler, eu digo que algumas vezes tenho o “pé pesado” no acelerador, a velocidade sempre me apaixonou

xiiiii falta a última ainda bem, antes que vá presa

5ª - sou viciada em blogs, leio visito “n” blogs por dia mesmo que não comente, porque adoro ler a diversidade que muitos têm e são


ufa acabou

agora a quem passar? é a pior parte, vai ser a todos os que se dignem desvendar um pouco, de si mesmo que como eu o detestem, vamos lá ver a coragem...


Menina Marota, já está e pela tua simpatia e porque gosto de ti e do teu cantinho, respondi, se algo me acontecer tens que me socorrer, porque eu grito por ti, eu tenho mais mas só pediste cinco, eu sou realmente “pestinha”

e para não ficar às escuras prendi a luz:

sexta-feira, março 10, 2006

saudade...



lapidei sentimentos
que tocaram ao som de Vivaldi

perfurei memórias maltratadas
onde os olhares se moveram

desordenei trémula as emoções
que surgiam da brisa do mar

apressei a noite simulando utopias
onde ecoaram ironias amargas

pressenti o mar orgulhoso
sedento de um corpo etéreo

senti a dor turbulenta
encolhida no interior dos desejos

diluí o limite da mágoa
irrequieta nos passos defendidos

contornei errante a imagem
e vi-te chegar gasto de vícios

ávida abri-te a porta da madrugada
e em silêncio toquei-te de paixão

embarcamos juntos no enlouquecido desejo
onde a saudade tinha o teu nome

e cai a noite sob a nudez de dois corpos...

l.maltez

sábado, março 04, 2006

silenciosa...



profundamente silenciosa
de gestos visíveis,
condenados à insolência
e desconhecimento do tempo
subitamente, recuei
onde amarrei a vida
inacessível

cantei tristezas
pelas ruas mudas de testemunhas
onde a possibilidade de morrer
me chamava em cada esquina,
cansada de tanto, ter abandonado à solidão
a quem suplicava oscilante de desejos
o sabor do meu corpo

esqueço-me de tudo
na certeza que tudo se apagará,
no momento da morte
de uma noite impregnada de vícios,
ardida em suicídios, do destino
onde a visão dos olhares se mordem
no rodopiar das ilusões

imóvel, invento sonhos
em palavras amarelecidas sem brilho...


l.maltez

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

um toque...


navegar na tua boca
húmida
de sabor a sal

impregnada
estremeço lírica
no terror dos arrepios

uso a manhã crispada,
renasço todos os dias
vestida de frio

avanço entre sombras andantes
antes de envelhecer
onde as palavras caminham

queria tremer
sentir furiosamente
um toque de uma boca ...

l.maltez

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

dou ...



dou-te o tudo e o nada!
a lonjura da minha
íngreme estrada,
as auroras
que há no mundo,
os solstícios e equinócios
meus sonhos
em horas d'ócio,
dou-te as argentinas pérolas
das chuvas de verão,
os cristais translúcidos
que nevam em meu coração,
as ondas dos mares do sul
dos meus desejos!

dou-te as brisas austrais
por entre beijos,
o verde das florestas
luxuriantes
palavras de mel,
mais reais que no papel,

se este for o preço
para pôr um sorriso em tua boca
então,
...meu amor, minha vida,
valerá a pena gritar teu nome
até ficar rouca!

valerá então amar-te como uma louca
porque viver sem ti
é coisa pouca...

l.maltez

sábado, fevereiro 18, 2006

teu olhar no meu...



toquei na noite,
desci em silêncio até ao mar,
numa aparência frágil de felicidade
senti o teu olhar, no meu
inquieto de incertezas,
vagueando sem limites
na sombra,
despejei palavras
que flutuaram no tempo,
palavras que se deixaram
arrastar pela corrente
como gemidos,
e caio contigo
num suave sonho
que persegue a solidão,
os teus olhos dão-me de novo um sinal,
sinto um murmúrio perto de mim
reconheço a tua voz
em músicas simuladas
e serenamente ambos
conseguimos dizer
amo-te ...

l.maltez

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

a imagem do inverno



cruzei-me contigo ontem no denso granizo da noite, a dureza do dia transformou secamente o rosto gasto dos silêncios das sombras. lembra-me o teu nome invernoso, negro e pesado, o vicio onde transformei as mãos amarelecidas e secas de tanto fomentar. não grites, já não te ouço, a tua voz é um eco delicioso eterno no silêncio das noites misturadas, a solidão é cega e fria.

falta-me o túnel do sono invencível. entras na companhia do vento inconcusso, um vento indiferente. os dias chegam ausentes, agasalhados nas asas de nuvens cinzentas, desarrumadas de imagens, ninguém corrompeu o sentimento do teu tempo e tu voltas sempre no mesmo dia à mesma hora.

guardo a imagem do sonho turbulento. o sonho que parece ser real, o ranger das portadas de madeira, o fragor dos vidros, onde escuto o crescer da maré, dobrado no arrepio ameaçador do inverno. a insistência em ficares envolvido nos tons cinzentos de olhar ameaçador, afogado nas águas estagnadas. guardo a solidão dos dias que trazes, sem tons, indecisos e repisados.

empurra-me deste frio que desanima e arrefece o corpo, deste inverno que me cansa.

l. maltez

sábado, fevereiro 04, 2006

imagina!



imagina a madrugada,
e
um céu sem estrelas
ou a noite fria sem luz

sim imagina,
a luz de um farol,
os olhos de alguém que amou

imagina o destino,
o que passou e não se cumpriu
a inesperada hora de felicidade
numa breve noite de amor

sim imagina,
a ternura dos apaixonados
abraçados na sombra esquecida,

imagina o frio,
ou o calor caminhando lado a lado,
uma porta que não se abriu
por uma vida que os separou

sim imagina,
a ausência de uma loucura
uma mão que te diz adeus,
aves que bailam a voar

imagina o silêncio,
a melodia de um instante
o tempo que nunca é longo

sim imagina,
que tu e eu seremos o imortal sentimento!


l.maltez

sábado, janeiro 28, 2006

pinto-me na tela ...




despi-me de mim
para me pintar mulher
não penso
para existir
no centro
da vida
e pinto-me na tela
com rosto de solidão

transbordo emoções
momentos escondidos,
nesta ilusão criada no coração

E se por algum motivo
os meus braços forem pequenos
para te abraçar
o mar e o teu sorriso
estarão comigo, tenho a certeza
na manhã que tarda
em acontecer...


l.maltez

sábado, janeiro 21, 2006

página em branco ...




parti o tempo
entre madrugadas

o meu sentir virei-o
para o mar
numa ânsia de partir

enchi noites de horror
e vidas amarguradas
entre melancolias
de paixões esquecidas

dei o dia
às palavras
que deslizaram no corpo
desfeitas em loucuras

cortei a veia
para sentir a emoção da dor
lentamente, dentro da solidão

espantei a lágrima
salgada que beijava a boca

escrevi azul
até acabar a tinta,
sentindo o vento
tocar nas feridas

deixei páginas brancas
para soletrar a vida

sem aviso ordenei idéias
e fechei os olhos...


l.maltez

sábado, janeiro 14, 2006

ilusão ...



vou construir uma cabana
para lá podermos morar
eu e tu...
... eu e tu, sem mais ninguém

...que venha depois o tempo
destruir a minha ilusão
da minha cabana isolada,
e venha o "mundo", também,
e que me peçam explicação
deste meu procedimento!

vou construir uma cabana
e dela fazer o refugio
de toda a minha poesia!
...e vai ficar isolada,
mas bem pertinho do mar
assim podemos escutar
o sussurro da maré,

vou construí-la!
tenho fé,
na minha cabana isolada

mas se tu não concordares
e esboçares uma ironia?

mesmo assim,
podes crer, eu irei
construir a minha cabana
e sozinha lá ficarei...
mesmo que tu não vás

...porém estarás comigo,
na sombra duma saudade
e num eco de amizade;
tua voz será a minha.
não é um sonho belo?!
pensa nisto e acredita,

vou construir uma cabana!

l.maltez

sexta-feira, janeiro 06, 2006

sede de ti...


vejo o teu rosto
no sorriso da água
e é inesgotável a sede
que sinto de te ver

esvazio o corpo,
num mar de palavras
limito-me sentir,
a brisa chegar em silêncio,
no início duma manhã
que nos abrace

o mundo não parou
e num breve olhar,
peço-te ajuda
para a minha decisão

já nada existe para além
de nós!

l.maltez

quinta-feira, dezembro 29, 2005

começa em ti ...


começa em ti, tudo o que se sente
como o aroma de mar sem fim
numa ausência que não é indiferente
no sol que vem de ti e se liga a mim

apoio-me taciturna nas palavras
num reunir obscuro de desejos
vacilando nua, em marés passadas
confusa, ávida de sabores e medos

desfaz-se o sonho começado em ti
transformo as razões, em riscos
nas mãos, desfaz-se o que senti
na voragem de leves sorrisos

começa em ti, tudo o que se sente
o aroma, o mar, a ausência do fim
memória mágica e dormente
da noite que corrói e vagueia em mim

e acaba em mim...

l.maltez

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Instantes


olhar
por um caminho único
os estragos amenos
da sede dos rostos,
da fome dos corpos
olhar o instante
que atravessa o crepúsculo,
passo a passo

os olhos jazem
sem peso ou espaço,
sem qualquer razão
nem vestígio de tempo,
só nostalgia
a vaguear em ondas

a vista diz um nome
perpassa a palavra viva,
entre silêncios densos,
e acaba por amarar
onde o desejo acorda
leve e cúmplice
como um suspiro

olhar... único, o meu
um norte
um anseio terminal
abarcar o teu!


l.maltez

neste instante que as horas se aproximam a passos largos deixo-vos o meu desejo de um Feliz Natal a todos
“Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus ...”
...
Miguel Torga

sexta-feira, dezembro 16, 2005

por isso te quero muito...



cruzei-me, nas palavras
da outra voz que fala
de promessas intensas,
cruzei-me, nos passos
dividida entre impulsos
de transparentes desejos,

nas noites corroídas
inventei-te,
em silêncio sôfrega de emoções,
e envolvi-te
em abraços separados
entre o fulgor do teu olhar

imaginei-te do nada,
entre vozes cantantes
de um inspirado rigor,
imaginei-te dentro delas
entre melodias de Chopin
longe da minha sombra

adormeci
e
descansei o meu corpo no teu


l.maltez

sábado, dezembro 10, 2005

caminho e espero por ti...



caminho!

caminho
e sem destino,
ao longe nada se avista
que busco neste passo lento?
lento, desastrado, mas decidido
onde o silêncio é medonho

caminho
é longo o percurso,
faz frio e o vento é violento
tudo se torna indefinido, confuso
que busco exausta entre penumbras?
procuro um silêncio remexido

cansada de tanto andar,
chego ao fim, para te ver
escuto, olho e em vão te procuro
em silêncio, quero teus passos reconhecer.
vejo-te ou serás uma sombra,
uma sombra que sinto esvaecer

que importa a dor que sinto,
deixa-me assim
chorar, devagarzinho
sofrer a incerteza que pressinto

estou junto a ti, sem o sentires
guardo para mim o lamentar
de não te ver chegar, meu amor


l maltez

domingo, dezembro 04, 2005

dias de espera




faz de conta que o tempo voou. estrangulou o dia, rasgando
caminhos confusos da cidade invisível. depois enrosca-te na
penumbra, afasta as sombras gravadas misteriosamente e entre
insónias de horas perdidas, esquece-me pouco a pouco. desfaz as
memórias e vai secando as ideias, encharcadas do perfume

debruça o olhar no presente, abre a janela e engole as luzes das
noites. saboreia cada sussurro oculto, nas horas que ouves na
grande solidão. adormece na inquietude das paredes brancas,
cheias de falsos sonhos, enquanto fugirei de mim silenciosamente.
desce de novo os teus olhos, ao fascínio ardente da água teimosa,
do mar que nos fez sentir vivos, numa prolongada espera.

é então tempo de caminhar, voar no esquecimento das emoções,
partir sem som.

l.maltez

segunda-feira, novembro 28, 2005

um passo em palavras



dá um passo
vem a mim
faz(-te) por mim
o pleno
da palavra
doce e terna
dá-me
o broto
límpido e feliz
da tua boca
como sempre fazes
para me encantar.

...só mais um passo
vem a mim
Já não sei temer
o teu achego.

... outro passo,
vem!
... tão só
como te é dado ser.
Já não temo
já não ouço
o uivar
dos meus medos.

sei que amo
esse passo
que dás para mim.


l.maltez

terça-feira, novembro 22, 2005

desenho com palavras o arco íris

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escrevo, nas folhas gastas da memória
amarelecidas, pela secagem
de um tempo
cansado

escrevo, com tinta fresca
para te sentir presente,
quando o sol
despontar

escrevo, no meu próprio sono
como se fosse voragem
sonhando nos teus braços
apressada

escrevo, nas estrelas
os teus olhos brilhantes
os espaços que damos em insónias
perigosas

escrevo, na chama cortada
por uma voz escutada,
entre os nossos olhares
cúmplices

escrevo,
perco-me em ti
e não trago mapa


l.maltez

quarta-feira, novembro 16, 2005

abraços de amor e mar

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por cá
junto a ti,
mas em mim
onde as ondas quebram
encontro, liberdade
sem mácula,
sem vício
por cá,
ainda que não brilhe o sol,
reluz o azul

mar intenso
embalas os meus sonhos
numa melodia,
entranha-se-me
o teu cheiro a maresia
e eu ondeio a ideia
de ser no teu colo
que eu renasço

surge a noite
sufoca-me na garganta o grito,
queria ter-te junto de mim.
a solidão atravessa-me
quero ouvir-te, manso
sentir o teu afago
atenuar a dor da separação

por fim,
adormeço neste abraço


l.maltez

sábado, novembro 12, 2005

nenhum espelho te substitui

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abri o dia ao teu lado
entras nos meus sonhos
e espero por ti nas palavras
que se perdem
num verso que nasce

chegas, enches de brilho
os espelhos da manhã nua
que de olhos húmidos te viu partir

a porta, ficou aberta
nada te impede de transpor o limiar
uma névoa quase te empurra
como se fosses uma palavra perdida
num sítio qualquer

abri o caminho ao teu lado
e em sombras
transportas desejos
de secos gemidos
misturados nos silêncios

é este o tempo que temos
o tempo dos sentimentos
de cada um de nós


l.maltez

terça-feira, novembro 08, 2005

ouve-me neste instante ...

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para ti


as horas perseguem-me
sem palavras ou imagens,

entorpecido na memória
sustento o peso da tua luz

o corpo incendeia-se-me
dolorosamente envelhecido
entre os nossos desencontros

habito a alvorada de um sonho
em que a tua voz desponta
e irrompe por mim suavemente;

a vida recomeça amena e doce
a tua imagem abarca-me
preenche vazios, alastra
num desejo feito saudade

e
então quero-te a preto e branco


l.maltez

quinta-feira, novembro 03, 2005

espero um lugar entre o ser e a tua sombra

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uni palavras numa rede de pesca
caíram recordações
envoltas em alvéolos

diluíram-se sentimentos
que enegreceram a areia prateada da praia deserta

caíram murmúrios misturados
em íntimos gemidos

vozes frias, empastadas
agarram-se violentas à manhã cinza

na casa perdida
a solidão tornou-se branca
nas brechas das paredes mal caiadas

os gritos entram pelas frinchas
das janelas ressequidas

ondas gastas de tanto bater
ecoaram longínquas no centro da cidade

espiei o sol entre cortinas
e escutei o ruído do mar agitado

fiquei imóvel pensando
em voz alta na vontade de partir

olhei o horizonte silenciosa terrivelmente
fria!


l.maltez

sexta-feira, outubro 28, 2005

o sol entra pela janela e repousa na tua face

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a casa, parece vazia
escuto o som do vento

estavas lá
vazio como a casa,

senti tua sombra
a, sombra que sobrevoava
entre labirintos da minha alma

bastam tuas mãos
cobertas de vida, para encher a casa

procuro veloz com o olhar
o brilho dos sentidos,

o encher os braços
de sonos adiados,
exaustos, atados à imensidão da noite

misteriosa linguagem
entre um pedaço de mim
e os risos forçados, sem tempo

perco-me entre a casa
e o destino

caminho, caminho sem máscara
recomeço onde a realidade parou,
sem tempo, longe da memória

sinto-te em casa de novo
cobre-te o sorriso no rosto


l.maltez

sábado, outubro 22, 2005

o caminho certo

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horas perfeitas chegaram na manhã azul
um olhar sereno, debruçado na velha janela
bebeu o chilrear dos caminhos.

portas fecharam-se aos dias passados
consumidas por palavras,

range a madeira, impregnada de cheiro
da velhice, cheiro decadente
onde o ânimo foi anulado
pela absurda melancolia

desilusões, entraram sem permissão
grávidas de dor
o ar fresco fez-se sentir,

era hora, dizia o relógio de luz carminada
hora de existir sem nada explicar


a porta abre-se, como um cenário
e a cidade espera impaciente
onde a vida não arrefece,


os espelhos das incertezas que esperem.



l. maltez

segunda-feira, outubro 17, 2005

reflexos de palavras

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reflectir letras, no romper do dia
leves,
frias,

enquanto a cidade acorda,
os lábios serrados
palpitam,
e
rolam palavras avermelhadas

no café homens de noites mal dormidas
sonham, cegamente.
evocam a tristeza
enlouquecidos num olhar
infinito

na rua o cheiro podre,
deixado nos espaços
dos que correm, na turva manhã

o lago reflectido
surpreende o terror do dia

e depois desta cidade mais outra e outra
em gestos sempre iguais,
onde só a terra remexe e se mistura de dores
dos que andam de esquina em esquina

dolorosa poluição que nos atravessa
entre nódoas de palavras vivas


l.maltez

segunda-feira, outubro 10, 2005

a exausta bicicleta

enrolo devagar a tarde imatura
toco com dedos insensíveis

sons cruzados no crepúsculo
onde olhos bebem
saudades de despedidas

o vento empurra um homem
de bicicleta amarela, enferrujada

imagem inquieta
insaciável, manchada de resíduos

lentamente avança,
no solo orvalhado

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deixa riscos determinados
que descem profundos, exaustos

silenciosa, atravesso
com o olhar místico

é imensa a mancha
pintada pela vôo violento das aves

então
secretamente recordo o homem
da bicicleta estilhaçada


l.maltez

domingo, outubro 02, 2005

intenso espaço das horas que espreitam

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cantam as paisagens
no filtrar do dia,
entre olhares rápidos do espelho,
de alguém com hipótese de trabalho

a mota contorna rotundas sobre rotundas,
no mundo da cidade inteligente,

o homem num aspecto incorrupto
acelera, sem recordar os limites

tudo parece ser igual dentro de cada um
a luz, , a sombra, o dia
onde se bebem sentimentos

tudo parece ser ali
após um dia, onde a bebida e os cigarros
fizeram parte da noite mal dormida
e sentimentos esfregados um a um

as horas prolongam-se
no pensamento viajante
onde a ressaca ainda é dor

já nada resta,
nem a paixão que lhe fez tocar um rosto


l.maltez

sexta-feira, setembro 23, 2005

numa corrida assombrada havia um homem que corria de porta em porta

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no bater das portas



entrei no lado azul da noite
em silêncio pesado

tropecei na verde porta
com palavras embrionárias

flui da obscuridade
sem nome de gente

empurrei o verão
esquecida, na inocência do tempo
do lado de lá, disseminei aromas
na magia dos ventos desabridos

rostos sedentos,
aterrados,
suspirantes no sossego
duma noite, sem paisagem
transpirada de azul

voraz passa incandescente
a idade louca de um tempo


l.maltez

sábado, setembro 17, 2005

caminho devagar para não arrefecer a vida

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acordar assim,
vazia

sem ouvir um desejo,
inventar olhares

enganar o tempo
na preguiça do levantar
tentar ganhá-lo como aliado,
e
almejar a ausência da noite
mal dormida.

não chegar ao lugar,
mas também quem quer chegar,
ao sítio avassalador
de lembranças?

os dedos movem-se
entre um mim e a memória

parem!
grito-llhes como se ouvissem,
que ainda não é hora

podem desfilar os anos
abrir e fechar os olhos.,
como se estes quisessem saltar do rosto
que lhes pertence

a ferida não sara
e o meu nome não é a melancolia
do abismo.

toquei-me e terrivelmente só
caminhei nas cores prodigiosas


l,maltez

segunda-feira, setembro 05, 2005

sentado com os meus pensamentos na pedra cinzenta e gasta

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A sobrevivência


irónico, cínico, passou ao lado do esquecimento
à idade espera-a sentada

mergulha na eternidade
bloqueado pela cor intensa
e pelo calor que arde no corpo

gestos de espanto renascem
a cada expressão no remexer das trevas

um espaço todo para olhar
uma voz pausada que ecoa
na casa crispada onde o cheiro
álcool rutila as paredes da sala vazia

longínquo, o coração mergulha
invisível ao equilíbrio da liberdade
no pavor afasta a certeza

no corpo apenas o bailado
que o coloca de pé, com a dança do vento


l. maltez

quinta-feira, agosto 25, 2005

cheguei a ti vinda de longe e contigo mantive o espaço na memória da terra que nasci

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não sabes ver ou sentir
a quietude silente

sei quem és, onde pertences

sorrio-te,
em dias de luz difusa
ou só de nevoeiro
sorrio-te,
nas noites repetidas
sem astros

reparto contigo solidão
pedaços de alegria
momentos de tristeza
...paixão

congemino definições
talvez exactas
talvez adversas
talvez por seres
um amigo confidente
talvez pelo brilho
que busco na ausência

tens o mar por companhia,
acodes os aflitos
apontas caminhos
com ciência cativa
entre os teus segredos

e dizer-te mais?
que (já) vives
no meu sorriso.

e estarás comigo,
em lembranças
entre os muros
abissais da saudade

leito vazante
para uma linha obstinada
entre o tempo e o espaço


sobejas
farol de mim!
e fio de luz
... estendido
até ao amanhecer
... naufragado
entre ilusões
em dias sem sol

e assim mesmo
a ti não hei de dizer
"adeus"


l.maltez
(e retoques do vento)

quinta-feira, agosto 18, 2005

perdida vaguei numa inocência apodrecida

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amo com palavras
abraçada a uma chaga
como se o amor fosse demência
ou doença perversa

amo entre imagens
num grito dentro de mim,
louco, agudo
e envolvente

mato espaços meus
indiferente ao querer

fecho uma a uma
as persianas do dia
embalada na sedução do desejo

um querer ilusório
à opção de uma ternura
que acaba desfigurada
pela nitidez da formula já gasta

aceito o vazio da limpidez
e grito, grito sem saber esperar

l. maltez

quarta-feira, agosto 10, 2005

um caiar com lágrimas o silêncio sobre o silêncio

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e choro!

tu não vês as minhas lágrimas, mas choro!
por uma vida perdida,
um sorriso esquecido
numa dor ressentida

sim, tu não vês as minhas lágrimas, mas choro!
com medo de perder-te
por te amar
sem tocar o teu corpo

pelo silêncio da noite
pelo mundo,
de uma onda até ao luar.

tu não vês as minhas lágrimas, mas choro!
por ser dia,
e acordar assim perdida,
de medo à solidão.

com mágoa,
deitada, mesmo acordada
no rigor do inverno frio

tu não vês as minhas lágrimas, mas choro!
por querer achar respostas,
viver no silêncio,
nas palavras dos sonhos
dentro, com a alma aflita,

choro,
choro com medo ou ternura
duma infelicidade que dura,

sim,
tu não vês as minhas lágrimas,
mas eu choro!


l.maltez

quinta-feira, agosto 04, 2005

angústia de um caminhar da alma agarrada a um corpo

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o que a alma necessita

precisa de saber caminhar no coração
ter vida, mesmo que seja simples
não se torcer em agonias
matar a fome com um olhar,
mesmo que seja cega
desejar com prazer, o corpo que a une
deixar crescer o amor,
como se fosse uma árvore
dizer não
à voz da separação,
extrair do prazer o esquecimento
saber perder-se no aroma de um corpo,
saborear carícias, seduções e miragens
esculpir o amor com a vida
precisa, sim precisa
ser tocada com um corpo

o que a alma necessita o corpo também deseja!


l. maltez

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...